Júlia Rabello
   
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Crítica Carolina- Macksen Luiz
Crítica Macksen - 25 outubro 2007.jpg
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Jornal do Brasil – Caderno B

Quarta-feira, 25 de outubro de 2007




Resenha – Carolina




Macksen Luiz



Este réquiem-sarau, que mostra os momentos que antecedem a morte da amada do escritor Machado de Assis, e que está em cartaz no Teatro III do CCBB, confunde vida e literatura, realidade e ficção, numa dramaturgia que borda o tempo como um tricô de sentimentos. Carolina são várias para se revelar única para Machado. Inspiradora de personagens, objeto de afeto, síntese do feminino na obra literária, esta mulher de tantas aparências surge nos instantes finais da sua existência, neste roteiro de Tarcísio Lara Puiati, como figura central de uma vida a serviço do outro. Carolina adquire nesta versão teatral vozes múltiplas, tomadas de empréstimo a outras mulheres machadianas e a situações que ilustram um mundo em que o papel social feminino se confinava entre quatro paredes. A convivência com o marido e as zonas sombrias que ambos acumulam ficam expostas neste confronto com a finitude, quando tudo parece ficar mais evidente.
Renato Farias criou uma encenação atraente em sua circularidade. No cenário de Melissa Paro, que integra a platéia à cena, as atrizes - Júlia Rabello, Laura Castro, Marta Nóbrega e Sarah Cintra - se distribuem por diversos momentos de uma Carolina que percorre sua trajetória até seu término. Os figurinos, contrastando o preto ao branco, a iluminação de Paulo César Medeiros e a participação do pianista Filipe Bernardo ambientam ainda melhor o aspecto de sarau que perpassa esta contagem regressiva para um tempo definitivo. O elenco se compõe, equilibradamente, nas diversas solicitações a que é submetido, correspondendo com harmônica identidade ao universo retratado. As cinco intérpretes demonstram em cena real identidade com a montagem, como se cada atuação fosse parte integrante de uma voz uníssona em relação àquilo que se quer projetar no palco. Carolina está repleta da mesma sinceridade com que suas atrizes estão em cena.